Nossos olhos abertos para o amor



Vamos falar sobre o que ninguém mais fala. Vamos nos interessar naquilo que ninguém tem interesse. Vamos segurar nossas mãos discutindo algo que tenha sentido. Vamos falar sobre o que ninguém ver, vamos expor sentimentos, criar atitudes. Vamos perder o ar no nossa boca a boca noturno, na nossa pele que faísca, no nosso jeito desconcertado de tentar ajeitar o mundo. Vamos nos abraçar e pensar que nossa força pode mover montanhas. Por isso não vamos chorar, vamos aguentar firme. Você vai entender minha alegria nunca completa, e por conta disso, você vai me amar mais, vai amar o que me move, porque isso te move também. Então vamos repousar no colo um do outro, porque a nossa dor é mesma. Nós tiramos as vendas e isso de alguma forma nos juntou, mas temos que pagar o preço amor. Teremos nosso melhor sorriso, o abraço mais apertado. Mas antes de dormir aquela dor do lado, aquela dor dos outros. Que a gente alivia no nosso toque, no nosso mundo, longe deles, longe daqueles egos inflamados e mentes insanas. Vamos conversar e por conta disso nossos olhos brilharam diferentes, porque a gente completa a palavra um do outro. Você está cansado, eu também estou, você quer fugir e eu apenas seguro sua mão. Porque todo caminho é melhor que aqui. Você cheira bem e tem toque suave. Eu apenas crio raiz toda vez que você protesta, confunde, se revolta, não entende. Eu gosto desse teu jeito de não ficar parado, de tentar mudar as coisas. Eu fico boba por esse teu coração avassalador e do tamanho do mundo. Vamos sair de mãos dadas, vamos quebrar o sistema, você me beija no primeiro encontro e eu já te amo pro resto da vida. Vamos falar nossos medos, nossas vergonhas. Ou vamos simplesmente respirar, porque as vezes é só isso que eu preciso, saber que em algum lugar existe alguém como nós.  Vamos contar nossas histórias, as melhores, as piores. Vamos ser novas pessoas, não vamos nos perder em dor passadas. Vamos nos permitir amar aqui e agora, como se jamais alguém nos tivesse magoado.

Elen Abreu

Aos poetas



Pobres poetas, morreriam sozinhos. Todos os amavam, mas ninguém os tinham. Eles se doavam com uma imensidão, que causava desastre, repulsa em qualquer coração. Ninguém estava preparado para aguentar, era amor além da conta, ninguém conseguia suportar. Amavam por um, por dois, depois amavam por todos. Eu não conseguia entender. Como era possível tanto amor em um único ser? Comecei a escrever para assim os lembrar. Queria a memória deles eternizar. Pois cometerem um único crime, o crime de amar. E desse crime quero morrer, porque outra não consigo ser.

Elen Abreu

A minha pior dor é aquela que eu não consigo escrever.


Elen Abreu

Que saiba




Que saiba lidar com meu exagero
Que passe a amar a minha intensidade
Que precise da minha urgência e sede
Que também queria fechar tranquilo os olhos quando o sol se põe
Que nos bastemos e o resto do mundo seja mera invenção.

Elen Abreu

Hipnose



Meus versos
Nossos erros
Nossa cama
Cheiros calando nossa boca
Carregada de palavras imundas

Meu ser sem sentido
Colados
Ofegantes
Amantes

Dentes
Nosso ar faltando
Teu corpo arrepiando
Nosso gemido que vai e vem

Hipnose
Nosso corpo fundindo
Meu ser emergindo

Elen Abreu

Egos inflamados



O amor era a única forma de existir em um mundo completamente vazio. Dentre tantas coisas que me habitavam os ossos. O coração era que doía. Dia após dia, caminhando no caos da inexistência, entre caminhos nebulosos. Lá estava ele querendo ser de alguém. Ela era tão dela, mas toparia se dividir caso ele prometesse o sorriso de sempre, mesmo nos dias mais difíceis, caso ele segurasse a sua a mão e tirasse todo o medo.

Em um mundo repleto de idas e vindas. De superficialidades e egos inflamados. Procurar era quase um: eu te amo. Ela ficou por hora tristonha. Sonhando com o melhor beijo do mundo. Que seria dele, mas existiria apenas caso fosse o dele no dela. O tão sonhando encontro de corações ofegantes. Nada importava. Mas tinha o trabalho, a rotina, os horários, o medo. Sim, o medo. O pior e maior fator de todos, o medo, porque se magoar era a coisa mais difícil do mundo e mais fácil.

Entre ventos e mar e pensamentos delirantes. Talvez viver fosse uma espécie de competição e ela nem sabia. Se perdera na fila, lerda, coitada. Vivia no mundo dos sonhos. Por hora se imaginava em um castelo pela a espera de um príncipe. Mas a realidade era outra. Era bolha no pé, telefone que não toca, mensagem que não visualiza. O dragão seria confortante em meio ao mar de versos que se espalhara no seu quarto e as tantas dúvidas abafadas e não esclarecidas. Era melhor perder o sapatinho, era tão mais bobo comer a maçã. Acho que qualquer coisa seria melhor do que a realidade de hoje em dia, de amores que nem chegam a acontecer, de pessoas que não se permitem.

Acabou e eu vi ele dormir tão poucas vezes, acabou e eu esqueci meu livro na estante, nem cheguei a olhar ele na sua camisa na favorita, não conheci seus pais, nem sei se ele resolveu fazer a barba, ou se mudou o gosto do vinho. Acabou de alguma forma tinha que acabar. O mundo não tinha mais espaço pra isso de amar. Se doaram tanto e de repente não houve soma. Seria mais fácil voltar o relógio e fingir que nada aconteceu. Menos comprimidos e folhas gastas.

Eu e meus sapatinhos de cristais.


Elen Abreu

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